quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

P853: PARA AGENDAREM OS PRÓXIMOS CONVÍVIOS...

CALENDÁRIO DA TABANCA DO CENTRO PARA 2017

Como referimos na última revista "Karas", os participantes no último convívio da Tabanca do Centro foram contemplados com a oferta de um calendário de mesa para 2017, com as "cores" da nossa Tabanca, uma iniciativa do nosso camarigo Paulo Moreno.

O nosso camarada Armando Faria, tendo visto publicadas na revista Karas as fotos do referido calendário, resolveu com elas fazer uma montagem para divulgar a eventuais interessados. Agradecemos ao Armando esta iniciativa, embora já estivesse nos nossos planos divulgar o esquema do calendário, para impressão e montagem pelos interessados. Assim, para os que não estiveram presentes e pretenderem "fabricar" um calendário, poderão imprimir o modelo junto.

Cliquem com o botão da direita sobre a imagem do calendário / Escolham a opção "Gravar imagem como..." / Escolham o nome para o ficheiro e o local no vosso computador onde querem guardar a imagem (Ambiente de trabalho, um ficheiro à vossa escolha, etc.) / "Enter"... e já está!

Não terão problemas pois a figura já vem com instruções de montagem... Ao imprimirem, apenas aconselhamos a utilização de uma folha com uma gramagem mínima da folha de 120 mg, para o calendário não se ir abaixo...

Caso tenham dificuldades, contactem-nos para tabanca.centro@gmail.com ou façam o pedido na caixa de comentários deste poste e enviar-vos-emos um ficheiro do mesmo calendário em formato JPG. 


Se apenas pretendem dispor de um calendário para consulta no vosso computador, então sugerimos o download desta segunda imagem, seguindo os procedimento já indicados acima. Talvez o melhor local para a guardar seja o "ambiente de trabalho", onde facilmente a seleccionam.



quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

P852: JÁ PODES ADQUIRI-LO!


No decorrer do nosso convívio de 2 de Dezembro de 2016 fomos contactados por alguns camaradas que se mostraram interessados em adquirir o avental da Tabanca do Centro. O protótipo deste avental tinha sido encomendado ao nosso camarigo Paulo Moreno para ser oferecido nesse Encontro à D. Preciosa, anfitriã dos nossos almoços-convívio, e desde logo mereceu a atenção dos presentes, alguns dos quais se mostraram interessados na sua aquisição.
Após contactos com o Paulo Moreno, informamos que a partir desta data é possível proceder à sua encomenda.
Pretendemos que os pedidos sejam dirigidos directamente para a Tabanca do Centro. Nós encarregamo-nos de passar os pedidos ao Paulo Moreno, que procederá à sua feitura.

PARA ENCOMENDAR
CONTACTAR ATRAVÉS DE
tabanca.centro@gmail.com

Este é um projecto iniciado em Dezembro de 2016, sendo a partir desta data possível aos interessados adquirirem um avental da Tabanca do Centro, de que foi concretizada a primeira entrega no decorrer do nosso convívio de 2 de Dezembro - uma oferta da Tabanca do Centro à nossa anfitriã D. Preciosa.

O modelo é fabricado em poliéster, de tamanho único e cor preta, com dois bolsos laterais. À frente,  uma referência directa à Tabanca do Centro, com inclusão do respectivo "emblema". 



Cada avental tem o preço de 10,00 Euros, que corresponde ao custo unitário de produção do avental, sem lucro para a casa. É de referir que o Paulo Moreno, responsável pela produção do material, a exemplo do que sucede com as T-Shirts não tem qualquer lucro pessoal nesta iniciativa. Os nossos agradecimentos por todo o suporte que nos tem dado e pela colaboração desinteressada que nos tem prestado ao longo destes últimos anos, neste e noutros projectos.

As encomendas do material deverão ser feitas directamente para o mail da Tabanca do Centro - tabanca.centro@gmail.com - indicando simplesmente o nome do interessado e o número de aventais pretendidos. Não pretendemos saber quem vai usar o avental...

Não temos um sistema de entregas por correio, pelo trabalho extra que isso representava e por onerar bastante a compra. Sugerimos como método mais prático o levantamento da compra no decorrer do almoço seguinte ou a entrega através de um amigo que ali esteja presente. 

                                                                                                                        Os editores

Nota: Têm sempre acesso a este poste carregando na imagem da coluna da direita onde é feita referência aos Aventais da Tabanca do Centro.

domingo, 4 de dezembro de 2016

P851: REVISTA "KARAS" DE NOVEMBRO


Para este convívio antecipámos um pouco o horário - concentração a partir das 12H00, almoço às 13H00. E bastante cedo começaram a juntar-se os participantes, no espaço interior, na esplanada e até no passeio fronteiro ao Café Central. Vemos em amena conversa o Mário Ley Garcia, João Rodrigues e José Jesus Ricardo. Noutro grupo, o Carlos Pinheiro e o José Pimentel Carvalho conversam com o António Sampaio, que se deslocou do Porto.

Já nos habituámos ao lote numeroso de participantes que o Manuel Jacinto vai arregimentando - menos de dez já começa a ser fraquito... Bom, aqui está ele com dois do seu grupo, o Manuel Cavadas e o António Cardoso. O António Sousa, lá atrás, é do lote do Manuel Kambuta Lopes...



Por falar no Kambuta, aqui está uma foto tirada pela sua máquina; mas o rapaz tem artes para aparecer à mesma na fotografia... Vemo-lo ao lado de um grupo de amigos habituais - Manuel da Ponte, Joaquim Henriques, José Manuel Baptista e Almiro Gonçalves.

E serão exageradas as afirmações do Almirante relativamente às grandes rivalidades entre Buarcos e a Figueira da Foz. Afinal estes dois camaradas da foto da direita - o Artur Soares e o Vasco da Gama - vieram juntos de lá, um de cada lado, e não consta que tenham andada à pancada pelo caminho...


Depois de um surgimento nos convívios há uns tempos atrás, o Carlos Morte falhou uns tantos encontros, reaparecendo agora no almoço de Natal. Aqui com os manos Rodrigues - João e Manuel - de Torres Novas.

O Baltazar Rosado Lourenço trouxe consigo um estreante nestes encontros, o Victor Domingos.


Outros estreantes nos nossos convívios: O Luís Sobreira, inscrito pelo Mário Ley Garcia; o José Manuel Leite, vindo com o grupo da Linha (aliás, já esteve presente em vários convívios da Tabanca da Linha); e o Joaquim Mesquita, trazido pelo António Pimentel.


O Luís Branquinho Crespo fez-se acompanhar novamente pelo filho Luís. E o Carlos Oliveira conversa com dois Santos, o Carlos e o Raul, que por acaso até nem têm laços familiares. Parece que com o frio o Carlos Santos desta vez optou por dispensar a sua habitual T-shirt da Tabanca do Centro, talvez por ser demasiado fresquinha...


Estava na hora de se avançar para o almoço. E é sempre difícil meter 90 pessoas na fotografia. Fora os distraídos que nem se dirigem para o local da foto...

Repararam num pormenor? Desapareceram as chapas das Termas e da Farmácia que normalmente faziam parte do cenário. Parece que perdemos os patrocinadores...


Oops! Ó Kambuta, olha que o pessoal está trás de ti... Este nosso camarada deve ter uma daquelas câmaras modernas, com retrovisor...

Ah! Afinal descobrimos as placas! Alguém as desviou um pouco mais para cima, como podem ver na foto da direita. Será porque não pagávamos direitos de imagem?

Bom, depois da foto o pessoal teve que ser orientado para o novo percurso. É que agora já não se desce a rua. O novo local fica bem perto do Café Central. Sobe-se a Rua de Leiria uns 50 metros e depois da agência de seguros da Mapfre (letreiro a vermelho na foto) desce-se a rampa à esquerda que nos leva á entrada do salão onde normalmente a Paróquia de Monte Real realiza as suas festas. 


Esta foto dá-vos uma perspectiva do percurso para o local da refeição. Não há que enganar!


Deixamos aqui duas perspectivas da sala. Dois conjuntos de mesas corridas com espaço suficiente entre elas para se poder circular, o que simplifica a tarefa a quem quer desentorpecer as pernas... e facilita a vida aos fotógrafos...

Dir-se-á que até poderíamos receber mais pessoas nos nossos encontros, pois há espaço para tal. Mas há dois aspectos que devemos tomar em consideração: 

O facto de o número 90 parecer representar a massa crítica da nossa Tabanca, e isto para casos excepcionais como os convívios de Novembro e Janeiro (e talvez Setembro), que geralmente congregam um maior número de participantes. No resto do ano pensamos que a assistência média rondará os 50/60 elementos.

Outro facto a ter em conta - muito importante - é a capacidade de resposta da D. Preciosa e colaboradoras às nossas necessidades. E vimos que agora estamos já a atingir o limite com os 90 lugares que se considerou como bitola máxima. Alguns camaradas queixaram-se de uma maior lentidão no serviço relativamente ao que se passava na Pensão Montanha. Curiosamente uma das colaboradoras referiu-nos como razões para isso os percursos mais longos entre a cozinha e as mesas e o tamanho das travessas, mais pequenas, obrigando a um maior número de reabastecimentos...

São pormenores que certamente poderão ser melhorados no futuro.


Ao lado do Carlos Santos, o Agostinho Gaspar e esposa Isabel. E já lá cantam 57 presenças consecutivas deste nosso camarada!

O Luís R. Moreira, o António Maria Silva e o José Miguel Louro representavam o pessoal da Linha. Bem, o Jorge Pinto e o José Manuel Leite também, mas não couberam nesta foto. Procurem noutro sítio...


O Fernando Freitas Pinto tem sido normalmente inscrito pelo Manuel Ferreira da Silva. Ao lado vemos o Victor Domingos, estreia absoluta nos nossos encontros, inscrito pelo Baltazar Rosado Lourenço, que também vemos na foto.

O casal Lobo, Silvério e Linda, fez-se acompanhar do seu netinho, o que já vai sendo habitual. Daí a referência ao Júnior Lobinho na lista de inscrições, o que fez confusão a algumas cabeças... E olhem que ele até já usa a T-Shirt da Tabanca do Centro...

Como vem sendo habitual sempre que está presente, na altura das sobremesas o casal Lobo presenteou-nos com o bolo fofinho do costume, já bastante apreciado por estas bandas... Obrigado!


O Vitor Caseiro conseguiu trazer a esposa Celeste a este convívio, o que nem sempre é possível, dada a vida profissional desta. Mais uma vez o Vitor e o Carlos Santos - aqui ao seu lado - mostraram a sua eficiência como tesoureiros, dando o seu contributo para o bom encerramento das contas, no final do almoço. 

Dois homens do grupo de Torres Novas, o Lúcio Vieira e o Carlos Pinheiro, ladeados pelo António Sousa, uma presença fiel nos nossos encontros.


Em primeiro plano o trio de Aveiro, Manuel Reis, Carlos Prata e José Luís Malaquias. Mais ao fundo, o José Luís Rodrigues (outra presença garantida) e o Carlos Manata.

O estreante José Manuel Leite aqui ladeado pelo Aníbal Tavares. Infelizmente motivos de saúde têm impedido a Fátima, esposa do Aníbal, de estar presente nos nossos convívios.


O Artur Soares apanhou boleia do seu vizinho de Buarcos, o Vasco da Gama. O Joaquim Peixoto e o José Manuel Cancela vieram lá mais do Norte. O Mário Ley Garcia, esse jogava em casa...

Lembrando os seus hábitos de "avô de serviço" o JERO carrega ao colo o júnior Lobinho. Sempre dá para manter a proficiência...


O Almiro Gonçalves e a esposa Amélia habituaram-nos à sua presença nos nossos encontros. E esmeraram-se no reforço da mesa das sobremesas, acrescentando-lhes saborosos pasteis de nata, bolo-rei e "bolo escangalhado". Os nossos agradecimentos ao casal.

O Luís Dias e esposa Manuela também não costumam faltar. Mais uma vez estiveram presentes.


Vemos o régulo da Tabanca, Joaquim Mexia Alves, acompanhado pelo Raul Castro, Luís Lopes Jorge e Fernando Faustino e esposa Aldina.

Desta vez o Carlos Manata ficou ao lado do gadamaelense Manuel Ferreira da Silva.


Dois casais que são participantes habituais: o António Frade e Maria Helena e o Diamantino Ferreira e Emília.


São reconhecíveis nesta foto o Raul Santos, o Rui Marques Gouveia e cunhado José Jesus Ricardo, e o António Pinto Alves, Manuel Clemente e respectivas esposas. Ah, do lado direito ainda reconhecemos a careca do Agostinho Gaspar, entre o filho Miguel e o Carlos Santos...

E não é que o Manuel da Ponte apareceu mesmo com a pessoa que inscreveu?! Ele que nos habituou a mudanças de parceiro de última hora... Desta vez trouxe a inscrita Maria Emília, que umas vezes identifica como Maria, outras como Emília, o que nos deixou baralhados...



A Giselda parece ter visto algum fantasma... Afinal era o Almirante Vermelho que se aproximava, ostentando garbosamente o cachecol do seu Benfica. Não nos esqueçamos que o almoço foi um pouco antes do jogo do seu clube com o Marítimo...



As travessas de reforço do cozido - couvinhas e carninhas - satisfizeram o apetite dos mais esfomeados. E as sobremesas da casa, reforçadas pelas ofertas dos casais Lobo e Gonçalves,  garantiram mesa farta e saborosa para os mais gulosos.



Era o momento para o Joaquim Mexia Alves falar aos presentes da situação actual que levou ao encerramento da Pensão Montanha pelo proprietário do imóvel e à necessidade da arrendatária, D. Preciosa, procurar um novo local para continuar a servir os seus clientes fieis.

Ora, nem a capacidade da sala nem a disponibilidade da cozinha do novo local permitem albergar um número de comensais acima dos 50 nem servir o prato de referência dos nossos convívios - o cozido à portuguesa - que pela sua complexidade exige uma cozinha bem equipada.

A solução encontrada, para já, foi recorrer à Paróquia de Monte Real, que amavelmente disponibilizou o salão onde realiza as suas festas para receber o nosso grupo. 

Ainda estamos numa fase de acerto de pormenores para podermos continuar a usufruir desses serviços nestas condições - uma sala ampla que possa receber até 90 convivas, a continuidade do apoio da D. Preciosa e respectivas colaboradoras e o fornecimento do prato de referência e ex-libris da extinta casa, o cozido à portuguesa.

Está também em aberto a possibilidade de voltarmos a alterar a data do convívio para a última 4ª feira do mês, de modo a evitarmos sobreposições com iniciativas da Paróquia no mesmo local, o que ocorre mais habitualmente às 6ªs feiras.

É um assunto que estamos a seguir com atenção e que divulgaremos logo que dispusermos de informação mais concreta. Aguardemos mais alguns dias.

Quanto aos dinheiros arrecadados das ofertas dos participantes nestes almoços, foi referido que a verba existente vai ser distribuída por duas áreas - uma num valor um pouco mais substancial, para o núcleo de Leiria da Liga dos Combatentes, perspectivando o apoio a 3 ou 4 combatentes com necessidades; a outra, um pouco menor, ficou a cargo de um dos nossos atabancados, tendo em vista ajudar outros 2 camaradas em idênticas condições.


Em tempo de mudança para novo local, não quisemos deixar de prestar homenagem à D. Preciosa e colaboradoras que durante 56 convívios realizados na extinta Pensão Montanha deram o seu melhor para nos proporcionar o melhor serviço no decorrer dos nossos encontros. Por esse motivo lhes foi lido e entregue pelo régulo da Tabanca do Centro, Joaquim Mexia Alves, o público louvor que aqui reproduzimos.



E nada melhor que a oferta de um avental alusivo à Tabanca do Centro para lembrar à D. Preciosa este momento. Trata-se de um modelo novo que, como já é hábito, pedimos ao nosso camarigo Paulo Moreno para produzir para esta ocasião mas que, dado o seu bom aspecto, suscitou desde logo a atenção de vários camaradas interessados em adquirir o novo produto. Por isso iniciámos já conversações com o Paulo no sentido de nos ser indicado o preço do produto. E, a exemplo do que sucedeu com as T-Sirts, em breve apresentaremos a informação completa que permita aos interessados adquirirem o avental da Tabanca do Centro.



Pareceria a fila para assinatura de autógrafos por um Charles Aznavour ou quejando. Pelo menos a idade dos presentes poderia sugerir isso... Mas não, trata-se do pagamento do almocinho pelos 90 participantes. Nada que fizesse estremecer os nossos tesoureiros, já experimentados na função...





O pagamento do almoço dava direito a receber um calendário da Tabanca do Centro, iniciativa e oferta generosa do nosso camarigo Paulo Moreno, a exemplo do que tem acontecido em anos anteriores. Obrigado, Paulo.



domingo, 27 de novembro de 2016

P847: O SAGRADO TERÇO NEGRO

"QUERIDO FILHO, VAIS PARA A GUERRA, 
LEVA O MEU TERÇO"
Ainda guardo religiosamente o terço negro que a minha querida Mãe colocou no meu pescoço no momento que me despedi dela para ir para a guerra nos Dembos, norte de Angola, em 1973.

“Querida Mãe, já chegou o carro que me vai levar para o Quartel de Santa Margarida, para embarcar logo à tarde para Angola, tenho que ir embora. Mãe, por favor, não chore mais que não vale a pena, não me resolve nada, lembre-se só disto que lhe digo, quanto mais depressa eu for, mais depressa regresso”.

Naquele momento, os meus braços e os braços dela entrelaçaram-se num apertado abraço e os dois rostos uniram-se em beijos; resolvi separar-me da minha mãe:

“Minha querida Mãe, vou embora, tenho que ir, adeus e até ao meu regresso”.

As enrugadas mãos da minha Mãe prenderam-me por uns momentos e, chorando e soluçando, foi dizendo: “Meu querido filho, não consigo fazer nada para te livrar da maldita guerra, não posso ir no teu lugar…”


Foi então que tirou do seu pescoço o seu sagrado terço negro e o colocou no meu pescoço, pedindo-me por favor e do fundo do seu coração para eu o usar diariamente de noite e de dia, nos bons e maus momentos e na guerra; que o usasse até ao momento de eu lhe dar o beijo e abraço no meu regresso com a comissão terminada; para que eu, ao olhar e sentir aquele sagrado terço benzido, me recordasse que nele ia todo o amor que ela tinha pelo seu querido filho, que olhasse para ele e me recordasse da minha querida Mãe.

Tudo isso eu fiz, só o retirava do meu pescoço nas operações feitas pelas matas, para não o perder ao prender-se nas árvores ou no capim, mas, colocando-o no bolso.

Para mim não foi fácil, no decorrer dos meses; ao olhar para o sagrado terço a imagem da minha querida Mãe desapareceu do meu pensamento. Ao escrever-lhe um aerograma pedi para ela me enviar uma foto sua, mas mesmo assim aquela imagem desaparecia.
Foram momentos muito tristes para mim, que recordo agora com os olhos rasos de lágrimas; mas o sagrado terço negro que a minha querida Mãe me colocou ao pescoço naquele dia, guardo-o religiosamente, pendurado na linda bandeira do meu País, por quem um dia jurei derramar o meu sangue até à ultima gota.

Hoje mesmo coloquei aquele sagrado terço no meu pescoço e senti o cheiro do rosto da minha querida Mãe, como o tinha sentido no momento em que mo tinha colocado naquele dia. Também senti o cheiro a sangue, suor e lágrimas derramado na guerra nos Dembos, norte de Angola.

Manuel Kambuta dos Dembos

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

P845: HISTÓRIAS CURTAS DAS TERMAS DE MONTE REAL - 6

DUAS HISTÓRIAS CURTAS

Mais duas histórias de um tempo já distante do Hotel das Termas de Monte Real, relembradas pelo nosso camarigo Joaquim Mexia Alves.


1.  PEIXE FRESCO…

No Hotel, naquele tempo (até por causa das dietas termais), havia sempre o cuidado de ter peixe fresco - especialmente pescada - para ser servido às refeições.

Um dia ao almoço, um senhor oriundo de uma cidade que não vou identificar, mas que estaria pouco habituado a comer pescada fresca, protestou junto do Chefe de Mesa, dizendo que o referido peixe não era fresco.

Claro que imediatamente se mandou cozer outra posta de pescada, pensando que pudesse ter havido qualquer problema com a anteriormente servida.

De novo se queixou o referido senhor, e quando o Chefe de Mesa lhe perguntou a razão da reclamação, o senhor afirmou que a posta não se “desfazia” em lascas mais ou menos duras.

Percebemos de imediato o problema e sem nada dizer ao hóspede, mandei o Chefe de Cozinha cozer uma posta de pescada congelada, que também tínhamos para outro tipo de pratos de peixe.

A resposta do hóspede, quando a provou, foi:
Esta sim, é pescada fresca!!!


2.  DESABAFOS…

Naqueles tempos mais antigos não havia tantas locais de diversão como hoje há e, tirando a televisão e um ou outro baile organizado em Monte Real, pouco mais havia para fazer, pelo que as salas de jogo do Hotel se enchiam à noite de senhoras e senhores jogando canasta, bridge, king, etc.

Estava então no Hotel hospedado, como todos os anos, um senhor e sua mulher que viviam em Angola, extremamente simpáticos e de conversa muito fácil e agradável.

Todas as noites se sentavam com outras senhoras e senhores jogando a canasta e conversando, e eu, ainda rapaz adolescente, quedava-me muitas vezes por ali, ouvindo as conversas que contavam sempre histórias muitas vezes interessantíssimas.

Mas o que me chamava mais a atenção naquele senhor, era uma frase que ele sempre utilizava quando a sorte às cartas não lhe sorria.

Nunca me esqueci de tal frase:

«Quando a sorte é maniversa, nada vale ao desinfeliz»


Joaquim Mexia Alves