terça-feira, 30 de setembro de 2014

P547: UMA NOTÍCIA TRISTE




A MORTE DE UM HERÓI DE PORTUGAL

Faleceu hoje o Comandante Alpoim Calvão.
Alpoim Calvão faz parte da memória de todos aqueles que passaram pela Guiné.
Como combatente é, sem dúvida, um dos militares mais prestigiados das Forças Armadas Portuguesas e uma referência do valor e destemor que o povo Português sempre mostrou ao longo da sua história, na defesa de Portugal.

Neste momento de tristeza acompanhamos a sua família, a sua família dos Fuzileiros Navais, a Marinha Portuguesa, as Forças Armadas Portuguesas e pedimos paz para a sua alma.
Os heróis não morrem! Viva Portugal!

A Tabanca do Centro

sábado, 27 de setembro de 2014

P545: NO RESCALDO DO COZIDO...

HOJE FOI DIA DA FAMÍLIA DA TABANCA DO CENTRO
(ESTA SÓ PODIA SER DO "KAMBUTA"...)

Ó Manel Kambuta, que dia é hoje? E, aonde é que foste, pá? Andas aí que nem pareces o mesmo, andaste por aí dois meses mais parecias um cão perdido!

Olhem mas ca pergunta, hoije foi o dia queu já isperaba e desisperaba qui chigasse, até quinfim que chigou, e cuma porra, eu até parece quimgurdei sem cumer, ó ber os mês amigos queu já cunhecia, e, ôtros que só cunhecia pla giringonça do comptadori, eu já pracia um gartito canitu todu cuntente.

Até bou cuntar uma coisa ca conteceu queu na isperaba, um rapazito dali dus ladus da Capital chigou ó pá dmim e pirguntou, ó Kambuta hoije na bás a Fátima a pé? Tás aqui a fazer o quêa? O kambuta ficou cus olhus imbugalhados armadu e mais parbu que já taba, afinal esse mê primo da Capital até tinha rezão, quele limbrou-me da nha hestória das prumessas da nha mãi, da nha tia e da belha nha bezinha candu fui prá guerra dangola (*). 


Mas, bem feita, bem feita, eu hoije fui á nha Bila de Muntariali a um cumbibio, onde tibe cum muntos rapazes assim cmu eu candaram na guerra do Altramar, cus mês primos desseram-me quera CAMARIGUS, na sei, mas pareceme que querem dezer, CAMARADAS E AMIGUS, até tá bem purque ali na Tabanca du Centru na nha Bila só se juntam e sincontram rapazes munto amigus e munto camaradas, só tanhu a dezer que gustei e quero repatir.

Só façu uma pargunta, falta munto pró próximo? Ó mê rapazitu, essa pargunte faz-se? chigastes há um pouco e já tás aflitu pró próximo!... E atão? na posso? ora essa hem… claru que tou desertu, é ali im FAMÍLIA queu e a nha Hortense nos sintimos bem, olha olha, ó CAMARIGUS, banha o próximo queu e a nha namurada já lá tamus…

Camarigos gostei, um abraço para todos, e peço desculpa se falhei em algum momento.


Manuel "Kambuta" Lopes


(*) Situação que vai ser esclarecida brevemente, num texto que nos foi enviado pelo "Kambuta" e que irá ser publicado aqui no blogue dentro de pouco tempo...

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

P544: OPORTUNIDADES NA VIDA...



Há meia dúzia de anos tive a oportunidade de ser contactada pelo Zé, um velho conhecido da Guiné.

Tudo começou com um artigo publicado num jornal sobre um ex-piloto da Força Aérea na Guiné, o então Ten. Miguel Pessoa, artigo esse em que era referido o facto de ele ter casado com uma ex-enfermeira paraquedista, Giselda - eu. Contava-se também a minha ida atribulada ao Guidage no dia em que outros aviões foram abatidos pelos mísseis Strela. Com esses dados em mão o Zé iniciou a busca de um contacto telefónico e, tendo-o conseguido, foi-lhe fácil chegar à fala comigo.

Soube assim que o Zé era um ex-militar que tinha cumprido uma comissão de serviço na Guiné, mais concretamente no Guidage, de onde tinha sido evacuado em 6 de Abril de 1973, e que procurava confirmar se tinha sido eu a enfermeira que tinha feito essa evacuação.

6 de Abril é uma data que está fortemente marcada na minha memória e não preciso de vasculhar papéis para saber o que sucedeu nesse dia. Dois aviões foram abatidos, um terceiro desapareceu, perderam-se três pilotos e um enfermeiro da Força Aérea, dois oficiais e um sargento do Exército, um milícia local do Guidage. E o avião em que eu seguia para uma evacuação no Guidage quase foi abatido. 
Tudo isto já tem sido referido em vários sítios, até neste blogue. O que não se sabe, e este telefonema veio relembrá-lo, é que o dia 6 de Abril começou para mim com uma deslocação ao aquartelamento de Guidage logo às primeiras horas da manhã, a fim de evacuar um militar do Exército gravemente ferido. E o mais curioso - e tocante - é que esse militar, descobria-o agora, era o Zé, o homem que estava ao telefone.

Naturalmente, tivemos uma interessante conversa, embora limitada pelo próprio meio utilizado. Mas ficou-me a ideia de poder vir a falar pessoalmente com ele, no futuro. Essa oportunidade surgiu há pouco mais de quatro anos, quando fui contactada por um responsável por uma produtora de trabalhos para o Canal História. Pretendia essa produtora fazer uma reportagem sobre as enfermeiras paraquedistas em Portugal, pedindo o contributo das ex-enfermeiras para prestarem depoimentos sobre as suas experiências pessoais.

Para além de me disponibilizar para essa entrevista, lembrei-me de propor igualmente que o Zé fosse convidado a participar nessas gravações, pois certamente o seu testemunho seria interessante. Dado que concordaram, acabei por ter a oportunidade de me encontrar com o Zé em Lisboa, no decorrer dessas gravações.

O que eu me lembro, o que ele me disse e o que ficou gravado podem resumir-se, de uma forma simples, no seguinte:

O Zé encontrava-se a trabalhar na construção de um telhado de um edifício, no exterior, quando repentinamente o quartel é alvejado pelo PAIGC. Estando a descoberto naquele momento, tenta procurar um abrigo, mas quando ali chega verifica que o abrigo está cheio, principalmente com gente da população. Não tendo possibilidade de se proteger completamente, fica à entrada, meio a descoberto. Ouve de repente uma explosão muito próxima, de uma granada ou morteiro, e nesse instante  sente um impacto no corpo. Leva as mãos ao corpo e retira-as cheias de sangue.

Após um período de semi-inconsciência, lembra-se de ter aberto os olhos e ver uma senhora com uma T-shirt branca e calças de camuflado, não sabendo se tinha morrido e se era o seu anjo da guarda que ali estava. Recorda ainda a evacuação no DO-27 para a BA12 e o transporte para o Hospital. Refere-me ainda ter a plena consciência de que não teria sobrevivido se não tivesse sido evacuado naquele momento.

Afastando a hipótese do anjo da guarda, devo concordar com ele no restante. O Zé teve a oportunidade de utilizar o único avião que nesse dia conseguiu ter êxito na evacuação de feridos do Guidage. A gravidade do seu estado não aconselhava de modo nenhum a sua permanência no aquartelamento. O avião em que pouco tempo depois regressei ao local acabou por ter de aterrar de emergência em Bigene, depois de alvejado por um Strela, e não poderia tê-lo evacuado. O avião que substituiu este na missão, embora tendo aterrado no Guidage e descolado com um ferido a bordo, desapareceu após a descolagem, nunca mais se sabendo nada do avião e das pessoas que lá seguiam. Se o Zé tivesse seguido também nesse avião seria hoje mais uma baixa a lamentar.

O Zé deveu a sua vida em grande parte à sorte, embora possa ter tido uma pequena ajuda de alguém que, não sendo anjo da guarda, estava ali precisamente para o apoiar.


                                                            Giselda Pessoa

Foto de Guidage: Albano Costa (Retirado da Internet, com a devida vénia)

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

P543: GENTE NOVA




TIPO ‘TÁS A VER…

Um texto “subtraído” ao blogue do JERO, da autoria do próprio. Com a devida vénia, claro…

Uma viagem num autocarro da Rodoviária Nacional Lisboa – Alcobaça demora cerca de uma hora e cinquenta. 

Em passado recente fui passageiro num autocarro que saiu de Lisboa completamente lotado. 

Ocupei o nº. 32 e a meu lado, no lugar nº.31, viajou uma adolescente que ,à primeira vista, me pareceu poder ter uns 14 ou 15 anos de idade.  Vestia o “uniforme” que a maioria das jovens utiliza nos tempos actuais: blusa de cor, calções curtos justos e a habitual parafernália de colares, brincos e anéis. O “conjunto” era complementado com um “piercing” na narina esquerda.

Num pequena mala de mão levava um moderno telemóvel que consultou durante a viagem vezes sem conta. Em telefonemas e mensagens. Era capaz de apostar que durante toda a viagem o telemóvel deverá ter estado em “sossego” aí uns dez minutos.

Por viajarmos em proximidade ouvi  inevitavelmente os seus telefonemas. Confesso que a linguagem usada era tão estranha que nos primeiros telefonemas tive dúvidas se a jovem estaria a falar algum dialecto de alguma região do país que eu desconhecesse, tipo mirandês ou minderico.

A partir de certa altura cheguei à conclusão que era uma” espécie” de português. “Bué” foi utilizado vezes sem conta. ”Tipo tás a ver” repetidas vezes. Cada novo telefonema começava com um “continuando”. 

Os quilómetros iam sendo percorridos e a jovem juntou a conversa alguns palavrões, que me dispenso de reproduzir, parecendo completamente esquecida que viajava junto de um adulto “tipo avô, tás a ver”!!!

As surpresas continuavam.

Um amigo estava “bêbado” em tal dia e… ela também estava bêbada em outra ocasião. Isto era referido a uma amiga. 
O tal amigo, que era uma ano mais velho e tinha 15 anos, curtia uma nova namorada “bué” de feia, tipo estás a ver…

E os telefonemas não paravam.

A excepção foi quando telefonou a uma pessoa de família (pai ou avô) para informar que estava a chegar. Este telefonema para a família deverá ter demorado uns 10 segundos !
Pois havia que reatar a conversa telefónica com a amiga. ”Continuando…” 

Antes de sair do seu lugar ainda prometeu à amiga que telefonaria logo à noite (estávamos em cima das 21h00) e informou que tinha voltado a fumar !!!

Fiquei só com os meus pensamentos e fui-me questionando.

Como é que estes jovens poderão ler, aprender a falar português – a tal língua de Camões – utilizando a cada passo aquele “dialecto” repleto de bués, tipo estás a ver ???

Senti-me confuso. Muito confuso.
Está claro que sou eu que estou a mais neste “estado novo” de gente jovem !
Que fazer !?
Não sei.
Mas parece-me, sinceramente, que se não forem os pais a estarem mais atentos a esta gente jovem eles irão “crescer” mal…
Muito mal, com bué de problemas.

Digo eu.
Que sou d'outros tempos...
JERO

domingo, 21 de setembro de 2014

P542: Uma ajuda à "navegação"!

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Para todos os que usam as SCUT, mas não têm tempo ou disposição para ir aos correios, aqui vai um link fácil para verificar se existe alguma coisa a pagar de portagens e obter a referência MB para efectuar o pagamento:


Foi uma óptima informação que nos foi fornecida pelo Ley Garcia, a quem agradecemos. E até pode ser útil a quem se dirige regularmente aos nossos convívios em Monte Real!

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

P541: É NO PRÓXIMO DIA 28 DE SETEMBRO

CERIMÓNIA DE HOMENAGEM AOS COMBATENTES

DO CONCELHO DE LEIRIA


Organizada pela Câmara Municipal de Leiria e pelo Núcleo de Leiria da Liga dos Combatentes, esta cerimónia decorrerá no próximo dia 28 de Setembro, de acordo com o programa em anexo.
As inscrições deverão ser feitas na respectiva Junta de Freguesia até 24 de Setembro.


terça-feira, 16 de setembro de 2014

P540: APRENDENDO COM A ASNEIRA...



VENTOS E CATA-VENTOS
O pára-quedas de cauda do Fiat G-91 era um componente importante na utilização do avião em pistas mais curtas ou naquelas em que, devido às altas temperaturas existentes, a corrida de aterragem (*) era agravada.

Lembro-me, depois de uma aterragem em Nova Lamego (em que naturalmente tive que usar o pára-quedas de cauda), não havendo ali material de substituição, tive que prosseguir para Bissalanca sem poder recorrer a ele. E, dadas as altas temperaturas verificadas àquela hora na pista da BA12, recordo-me bem que, sem o pára-quedas, o avião "comeu" praticamente a pista toda até se imobilizar. E os travões ficaram bem quentes nessa ocasião...

Naturalmente, havia algumas restrições ao uso do pára-quedas do avião, nomeadamente no que diz respeito às condições e velocidades máximas de utilização. Assim, ele deveria ser extraído apenas depois de o avião tocar no solo e com uma velocidade inferior a 150 nós (**).

Compreendem-se essas restrições pois o pára-quedas, aberto, comportava-se como um verdadeiro cata-vento e, se nos lembrarmos que na outra ponta estava o avião, imagine-se a rotação a que este podia estar sujeito no caso de ventos fortes laterais. E esses efeitos sentiam-se ainda mais no ar. Por outro lado, havia um limite físico à abertura do pára-quedas - o cabo que ligava o pára-quedas ao avião tinha uma rotura prevista aos 3000 kg de força, o que acontecia quando a abertura era efectuada acima dos tais 150 nós (***). Corria-se nesse caso o risco de a calote se desprender, deixando o pára-quedas de ter qualquer utilidade.


Existia no entanto uma gama de velocidades (pequena) entre a velocidade de tocar no chão e a velocidade máxima de abertura do pára-quedas que permitia abrir o pára-quedas ainda no ar, sem ultrapassar essa velocidade limite. Tinha que se ter um cuidado extra, pois ao abrir o pára-quedas o nariz do avião tinha tendência para baixar. Na verdade não se ganhava nada com isso mas era um exibicionismo que um piloto mais atrevidote gostava de experimentar. Bem, foi precisamente o meu caso...
Dei-me bem com o método (que, na verdade, usei apenas esporadicamente), até ao dia em que fiz uma aproximação a Bissalanca e resolvi abrir o pára-quedas de cauda imediatamente antes de tocar, sem ter tido em muita consideração os ventos que a Torre de Controlo me reportava.

O facto é que rapidamente me arrependi do feito, pois o avião iniciou um par de rotações para um lado e outro do eixo da pista (20º ou mais para cada lado). Tendo finalmente conseguido dominar o animal (os animais, se incluirmos o que ia a pilotar...) lá consegui pôr o estojo no chão e fazer uma corrida de aterragem mais ou menos normal. E o facto é que nunca mais, desde então, deixei de cumprir rigorosamente o que estava estabelecido no referente às condições e velocidades de utilização do pára-quedas de cauda do Fiat G-91...

Miguel Pessoa
 

(*)  Em termos simples, a distância percorrida desde o "tocar no chão" até à paragem completa do avião

(**) 150 nós (ou 150 milhas náuticas por hora) correspondem a quase 280 km/hora (150x1,853=277,9 km/h)

(***) Um agradecimento ao Cristiano Valdemar, ex-mecânico de Fiat G-91 na BA12, que me relembrou estes dois valores, já desaparecidos do meu "disco rígido"...

Cartoon do Fiat G-91 da autoria do Paulo Moreno
Foto da aterragem do Fiat G-91 da autoria do então Sarg. Coelho, da Secção Fotográfica da BA12